Impactos da Norma de desempenho no setor da construção civil

Já fazem mais de cinco anos que a NBR 15575, conhecida como norma de desempenho, e muitas construtoras e projetistas ainda passam por um processo de adaptação, visto que a norma trouxe inúmeros requisitos para garantia de desempenho dos diversos sistemas componentes das edificações habitacionais. Antes as construtoras e incorporadoras se preocupavam em contratar apenas projetos legais. Hoje com NBR 15575, a atenção precisou se voltar a todos os projetos executivos e cautela na contratação dos projetistas mais capacitados e adaptados com as mudanças normativas. A norma trouxe consigo também, responsabilidades para cada um dos envolvidos:

Incorporador

  • Identificar os possíveis riscos previsíveis e realizar os estudos técnicos necessários (estabilidade do solo, imóveis vizinhos, etc) para fornecer todas as informações para os diversos projetistas envolvidos na concepção do empreendimento e em consonância com o(s) projetista(s), definir os níveis de desempenho.

Construtor

  • Atender aos requisitos da NBR 15575, além de elaborar o manual de uso, operação e manutenção registrando todas os prazos de VUPs (vida útil projetada) de cada material e elementos da edificação conforme definido nos projetos executivos, além de procurar elaborar um plano de controle tecnológico que considere os ensaios necessários para a comprovação de atendimento à NBR 15575.

Projetista

  • Estabelecer e indicar nos memoriais e desenhos, as respectivas VUPs de cada sistema componente da obra, especificar os materiais com base nas informações de desempenho (informado pelos fornecedores), indicar claramente no projeto e/ou memoriais de cálculo, quando forem considerados VUP maiores que o mínimo (intermediário/superior);

Usuário

  • Realizar a manutenção de acordo com o estabelecido no manual do proprietário e não efetuar modificações que prejudiquem o desempenho original, além de manter o registro de todas as manutenções realizadas conforme orientações do manual.

Os maiores desafios enfrentados, ainda são de conseguir projetistas e fornecedores que atendam a todos os requisitos normativos. O que se observa é um avanço progressivo positivo, onde os profissionais e empresas estão investindo em capacitação, treinamentos, ensaios, etc. A tendência é que esse avanço, traga melhorias significativas nos procedimentos executivos, mão-de-obra, qualidade e a médio prazo uma redução no surgimento de manifestações patológicas nas edificações, custos e reclamações de assistência técnica dos edifícios entregues.

Por Engª Geovanna Menezes